CONSELHO CONSULTIVO DE ALTO IMPACTO EM PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

A dinâmica proporcionada por um Conselho Consultivo (Advisory Board) em Pequenas e Médias Empresas (PME) encontra benefícios incontestáveis para o desenvolvimento sustentável dos negócios desta PME.

 

Estruturar um Conselho Consultivo dá a possibilidade de trazer um olhar externo, organizar a discussão sobre identidade, escolhas, ritmo de expansão, estrutura societária, fontes externas de financiamento, oportunidades, portfólios, mercados, construção de valor, evolução patrimonial e desempenho comparado da operação, dentre outros temas.

 

Empreendedores podem tirar proveito de uma visão externa e não-viciada dos seus dilemas empresariais, a partir de ideias e alternativas para repensar caminhos e oportunidades.

 

O QUE É O CONSELHO CONSULTIVO DE ALTO IMPACTO

Entendemos o Conselho Consultivo de Alto Impacto como aquele que entrega real valor à Organização, e vale mais do que custa. Reputação e confiança do empreendedor não devem ser os únicos atributos para a sua formação. Ele não é focado apenas em acompanhamento, relatórios e conformidade (Compliance).

 

Um Conselho Consultivo deve ser composto por um grupo de integrantes experientes, que se reúne periodicamente para contribuir e apoiar a discussão de questões da Empresa, sem exercer a sua gestão ou sua representação ativa ou passiva.

 

Os Conselheiros de Alto Impacto aconselham e dão subsídios para escolhas estratégicas, podendo oferecer auxílio em temas específicos em comitês, como a emissão de opiniões sobre assuntos que sejam encaminhados pelo Board para emissão de pareceres e recomendações, sem deliberação administrativa. Neste formato, não se confundem suas atribuições com o poder de direcionar os negócios da Companhia de um Conselheiro de Administração.

 

Membros dos órgãos técnicos e consultivos devem, no entanto, atentar quando esses órgãos são criados pelo Estatuto, quando eles podem passar a ter, nos termos da Lei das S/A (arts. 160 e 165), deveres e responsabilidades de administradores.

 

CONSELHOS INFORMAIS X FORMAIS

 

Na interação no dia-a-dia com administradores e executivos seniores de clientes de menor porte, a prestação de serviços de assessoria financeira pode evoluir, desde que explicitamente definida, para a participação em Conselho Consultivo.

 

Outras vezes, isso pode acontecer informalmente, a partir de reuniões despretensiosas, nas quais discutem-se assuntos de natureza estratégica para a Empresa, sem ordem e conclusões claras. Esta informalidade, desta forma, retira a oportunidade de converter boas ideias em ações efetivas, uma vez que ações precisam ser atribuídas a donos, e cobradas até que produzam seus benefícios.

 

Se houver descuido na sua implementação, mesmo Conselhos estruturados podem sucumbir à dinâmica de acompanhamento e conformidade, com a simples leitura da última ata na véspera da próxima reunião, sem que os responsáveis pelas ações propostas tenham despendido esforços efetivos para a execução das atividades sob sua responsabilidade.

 

RESULTADOS ESPERADOS DE UM CONSELHO CONSULTIVO

 

Um Conselho Consultivo atuante aumenta a percepção de confiabilidade da PME perante o público externo e entre seus sócios em relação a seus investimentos, o que incentiva novos aportes e captação de novos recursos no futuro. 

 

Com a evolução da maturidade da PME e a predisposição do empreendedor de compartilhar decisões, a natureza consultiva pode evoluir para deliberação colegiada em Conselho de Administração, após as adaptações necessárias.

 

O Conselho Consultivo pode também passar a aprofundar sua atuação em temas mais técnicos: financeiros, contábeis, comerciais e de governança. Isso tem o efeito de aumentar a integração organizacional, com o Conselho sempre atualizado e decisões bem fundamentadas.

 

Temos a convicção de que todo empreendedor deveria contar com Conselheiros capazes de oferecer uma perspectiva diferente do negócio, com talento e experiência, dispostas a compartilhar aprendizados e experiências.

 

Enumeramos abaixo 5 recomendações para a estruturação de um Conselho Consultivo eficaz:

 

RECOMENDAÇÕES

 

1) Reuniões do Conselho Consultivo precisam ser disciplinadas por agendas previamente divulgadas - é fundamental que se criem condições para que haja adequada preparação para todas as reuniões;

 

2) Responsabilidades devem ser atribuídas aos times, e ações, rastreadas. Mecanismos de follow up de ideias discutidas com decisões posteriores devem ser implantados, para preservar a efetividade dos efeitos dessas reuniões;

 

3) Conselheiros Consultivos devem aprofundar progressivamente o conhecimento da Empresa, inclusive tendo acesso a certas informações e promovendo visitas periódicas à Empresa;

 

4) É desejável que um Conselho Consultivo tenha integrantes que possam acrescentar não apenas reputação, apoio e networking, mas que tenham o radar apurado no crescimento, rentabilidade e gestão dos riscos associados a estes fatores, além de incentivar a discussão sobre novas tecnologias e inovação;

 

5) As reuniões idealmente devem ser periódicas e regulares (mensais, bimestrais ou trimestrais). Esta regularidade contribui para a propagação dos efeitos dos assuntos discutidos no Conselho no cotidiano da Organização.

 

Ao estruturar um Conselho Consultivo, leve esses aspectos em consideração e tire proveito dos resultados desta ferramenta e de uma gestão mais objetiva e verdadeiramente voltada para os melhores interesses e perpetuidade da sua Empresa.

João Roberto Mesquita é sócio da Via Mandatto Assessoria Empresarial. Especialista em finanças corporativas, aconselhamento empresarial em fusões e aquisições (M&A), parcerias estratégicas (joint ventures) e restruturações societárias. Engenheiro e contabilista, pós-graduado em economia, com 20 anos de experiência. Conselheiro de Administração (CCI) certificado pelo IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.