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MEU NEGÓCIO CRESCE POUCO. O QUE FAZER? E POR QUE EFICIÊNCIA IMPORTA MAIS DO QUE NUNCA?
Crescimento não deve ser um objetivo empresarial em si, mas consequência de uma análise estratégica consistente e da ampliação da capacidade da empresa de criar valor econômico de forma sustentável. Crescimento é apenas uma das alternativas para atingir esse fim.
Antes de tudo, parabéns. Ainda que sua empresa não esteja crescendo, ela continua operando. Isso significa que houve disciplina suficiente para administrar riscos e preservar sua continuidade. E só por esse motivo já tem a minha profunda e sincera admiração. Mas devo alertá-lo que chegou a hora de passar a ter outra visão sobre ele.
Antes de decidir crescer, vale perguntar se a empresa já extraiu o máximo valor econômico dos recursos que possui. Em muitos casos, melhor alocação de capital, ganhos de eficiência operacional e aprimoramentos de governança frequentemente geram mais valor do que uma expansão prematura.
Para compreender essa lógica, vale distinguir dois objetivos empresariais bastante diferentes: empresas concebidas para gerar renda recorrente aos sócios (modelo life style). E empresas cujo foco está na valorização do capital investido e buscam perpetuidade por meio de escala, governança e acesso a capital. É justamente esse objetivo econômico que determina como cada empresa avalia decisões de eficiência, reinvestimento e expansão. Sem falar que empresas que deixam de evoluir tendem a perder relevância para clientes, colaboradores, investidores e parceiros. Quando a expansão das operações passa a ser o melhor instrumento para ampliar essa criação de valor, ela pode ocorrer de forma orgânica ou inorgânica, como explicado a seguir.
CRESCIMENTO ORGÂNICO VS. INORGÂNICO (POR AQUISIÇÕES)
Crescimento orgânico consiste na expansão das operações da própria empresa. Aqui se enquadram os projetos greenfield em novos mercados, bem como o desenvolvimento interno de novos produtos ou serviços. Já o formato inorgânico implica o crescimento por meio de aquisição de participação no capital social de outra empresa (as ditas operações de M&A).
Naturalmente, há preferências por uma ou por outra estratégia. Na realidade do mundo dos negócios, recomenda-se que as empresas admitam crescer por meio da combinação das duas estratégias. Observamos, na prática, que, via de regra, as empresas que aceitam o crescimento por aquisição também admitem o crescimento orgânico. Todavia, nem todas as empresas que aceitam o crescimento orgânico admitem por aquisição.
Na Via Mandatto, nós também preparamos e assessoramos empresários em negociações que buscam esse crescimento inorgânico, e um princípio recorrente é nunca temer uma transação ou negociação supostamente difícil. Para quem está comprando, o foco não deve estar no menor preço possível, mas na capacidade de a transação ampliar a criação de valor no longo prazo gerado pela combinação dos negócios, não no preço pago ou na avaliação inicial. Os alvos podem variar desde ativos específicos até empresas operacionais ou companhias em situação de restrição financeira (distressed). Nessas situações, é comum que os credores passem a exercer influência decisiva sobre a estrutura da negociação.
AQUISIÇÃO POR OPORTUNIDADE OU ESTRATÉGIA?
Nossa experiência indica que as melhores transações emergem de análises estratégicas, e não de oportunidades circunstanciais. Aquisições oportunísticas podem gerar excelentes resultados. Mas também figuram entre as principais causas de destruição de valor quando não estão alinhadas à estratégia, especialmente se envolver critérios subjetivos combinados com a pressão do tempo, do tipo "é pegar ou largar" ou "cavalo selado não passa duas vezes". As aquisições em decorrência de estratégia podem envolver o ganho de sinergias, engenharia financeira, consolidação de mercado pulverizado, mercados adjacentes, aquisição de tecnologia, talentos, capacidades ou acessos a mercados, ou ainda consolidação em mercado maduro, por exemplo. E a eficiência? Em mercados competitivos, eficiência operacional, disciplina na alocação de capital e capacidade de execução costumam definir quem consolida o mercado e quem acaba sendo consolidado.
Mas, para concluir, aqui cabe um alerta: criar valor econômico deve permanecer como o verdadeiro objetivo estratégico. O crescimento deve ser tratado apenas como uma das alternativas disponíveis para alcançá-lo. A qualidade de uma aquisição depende menos do ativo escolhido e mais da qualidade do processo decisório que levou à sua escolha. O melhor é que o mérito da transação seja objetivamente descrito, detalhado e documentado. Essa descrição servirá também como parâmetro para metas e reavaliações futuras, além de evitar decisões motivadas apenas por vaidade, ego ou pela busca de escala sem geração de valor. Empresas verdadeiramente excepcionais não perseguem o crescimento como um fim, mas criam valor econômico e, como consequência, encontram oportunidades consistentes de expansão.
João Roberto Mesquita é sócio da Via Mandatto Assessoria Empresarial, assessorando empresários e investidores em estratégias de crescimento ou desinvestimento, fusões e aquisições (M&A), finanças corporativas, governança corporativa, alianças estratégicas, captação de recursos e reestruturações societárias. Conselheiro de Administração (CCA) certificado pelo IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.
joao.mesquita@viamandatto.com | www.viamandatto.com
João Roberto Fernandes Vieira Mesquita